quinta-feira, janeiro 16, 2014
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O saudoso doutor Sócrates, criador da Democracia Corinthiana e um dos mais importantes gênios do futebol brasileiro e mundial,  tem sua verdadeira história contada pela jornalista e ex-esposa, Katia Bagnarelli. Vale lembrar que, por ocasião do falecimento do Magrão em 04/12/2011, a presidenta Dilma disse: “O Brasil perde um de seus filhos mais queridos, o doutor Sócrates. Nos campos, com seu talento e seus toques sofisticados, foi um gênio do futebol, a ponto de ser considerado o melhor jogador sul-americano de 1983, e ser escolhido pela Fifa, em 2004, como um dos 125 melhores jogadores vivos da história. Como jogador do Corinthians, deu muitas alegrias à torcida.
Além de ídolo do futebol, Sócrates foi um campeão da cidadania. Fora dos campos, nunca se omitiu. Foi um brasileiro atuante politicamente, preocupado com o seu povo e o seu país. Procurando o bem-estar de seus companheiros, ajudou a implantar um sistema democrático no clube em que atuava. Participou também ativamente da campanha pelas Diretas-Já e de outros momentos importantes da redemocratização do país.
Lamento a perda de um grande brasileiro e envio meu abraço solidário a seus parentes, amigos e admiradores.” — Dilma Rousseff, presidente do Brasil, em nota oficial sobre a morte de Sócrates.

Certamente a presidenta Dilma abrirá espaço na sua agenda, para receber aquela que, além de ter sido a companheira de nosso ídolo até o último suspiro, é responsável pela história que ficará para sempre na mente do povo de um país, conhecido como o país do futebol.

O livro foi publicado pela Editora Prumo, tem a participação especial da conhecida escritora Regina Echeverria, autora do “Furacão Elis”, “Gonzaguinha e Gonzagão” entre outros.

Na entrevista, Katia Bagnarelli conta com exclusividade e muita emoção,  para os leitores do Diário da Manhã,  um dos momentos mais importantes e inesquecíveis de sua vida com o doutor Sócrates. Segunda a nossa entrevistada, trata-se do momento em que Sócrates  chegou ao seu apartamento, com dois quadros, uma mochila e declarou “Te procurei a vida toda”... Veja abaixo, a íntegra da entrevista.





DM - Como você e o Sócrates se conheceram?
KB - Nos conhecemos numa relação de trabalho. Tenho uma empresa de Comunicação que produz conteúdos para TV e cinema no Brasil e exterior. Além disso, sou intermediária de projetos especiais no esporte. Foi por meio dos referidos projetos que  contratei as palestras de Sócrates no Brasil. Nos conhecemos na assinatura de contrato. A partir dali trabalhamos juntos na implantação de inúmeros projetos, inclusive sociais.
DM - Como está sendo sua experiência, ao contar a verdadeira história de um dos maiores ídolos do futebol do Brasil e no mundo?
KB - Falar sobre Sócrates Brasileiro como ser humano é, e sempre será um desafio, um delicioso desafio. A sociedade merece conhecer o homem além do mito, o ser humano dedicado, o pintor criativo, o músico entusiasmado, o cozinheiro agregador, o amigo incondicional, o empresário de primeira viagem, o educador, o politizador, o apresentador de TV, o marido apaixonado e fiel, o pai sensível e empenhado na garantia dos direitos de seus filhos, mesmo de tão longe deles; o homem apaixonado pela Humanidade. Ao mesmo tempo em que passou a vida se dedicando às causas da maioria privada de muitos em nosso país, usou de forma genial o esporte para ganhar voz e nos politizar, nos motivar a atuar como cidadãos verdadeiramente, atuar como agentes no processo político brasileiro. Ter o privilégio que tive,  ao ser escolhida por ele para dividir as 24 horas de todos os dias;  foi o que me impulsionou a escrever. Tínhamos um diário juntos e ambos escreviam sem que o outro pudesse ler. Quando ele partiu comecei a ler todos os seus desabafos e declarações de amor. Alguns trechos ele escrevia como se soubesse que muitas pessoas poderiam ter acesso aos seus sentimentos, reflexões e conclusões. Não tive nenhuma dúvida de que este seria o momento de publicar um relato. Esta Obra abre o período em que ele completaria 60 anos de idade e um momento crucial para o esporte brasileiro, que receberá a Copa do Mundo de Futebol e Olimpíadas. Tema tão discutido por ele. As pessoas, por toda parte, lêem esta Obra e me procuram imediatamente para compartilhar um pouco mais dos seus mais puros sentimentos em relação a vida e aos que caminham com elas. Acredito que, em algum momento, Sócrates imaginou que a nossa relação poderia ser multiplicada e mais do que admirada, pudesse ser fonte de inspiração e força para melhorar as diversas relações humanas tão desgastadas e conflituosas. Ele estava descobrindo o amor e queria contar para todo mundo o que estava sentindo. O amor incondicional, aquele que Constrói e Cura todas as feridas.

DM - Fale sobre a programação do lançamento do livro, Sócrates Brasileiro?
KB - Fizemos dois lançamentos em São Paulo, um deles em dezembro na Livraria Saraiva e outro no Parque São Jorge, no Corinthians, durante a semana de dois anos de falecimento. Provavelmente percorreremos o país promovendo tardes e noites de dedicatórias e contato com o leitor, mas ainda não tenho a agenda de 2014. Estou providenciando a tradução para o italiano e negociando com algumas  distribuidoras na Europa. Pretendo lançá-lo na Itália, no segundo semestre deste ano.

DM - Em algum momento você teve dificuldades e pensou em desistir do projeto de seu projeto,  o livro Sócrates Brasileiro ?
KB - Dificuldades eu enfrento desde a madrugada de 4 de dezembro de 2011,  quando ele partiu em meus braços. Mas,  isso nunca foi novidade para mim e muito menos era para ele. A nossa existência é feita de momentos difíceis e momentos tranqüilos. Procurar companhia para enfrentá-la e não desistir é a arte da vida. Eu nunca pensei em desistir embora tenha sofrido muito para finalizá-lo sozinha.

DM - Fale de um momento especial e inesquecível entre você e o Sócrates?
KB - Sem dúvida alguma foi quando ele entrou em meu apartamento com dois quadros e uma mochila e disse: " Te procurei a vida toda! Por trinta anos eu soube que você existia. Não me deixe sair daqui e me ajude a fazer o que ainda preciso fazer para meu povo. Ajude-me, a me aproximar dos meus filhos. Você é a minha salvação, me aceite para sempre”.  Deste dia em diante, ele nunca mais saiu da minha casa e da minha vida.

DM - A imprensa está dando o apoio que a trajetória de Sócrates merece  em relação ao lançamento do livro, Sócrates Brasileiro?
KB - Tenho recebido sim,  muito apoio. Nós não contratamos ainda uma assessoria de imprensa para trabalhar à divulgação do livro e considerando isso, preciso dizer que sou grata a procura e abertura que tenho recebido. Acredito que à medida que os veículos tiverem acesso à Obra, naturalmente, desejarão propagá-la. Esta é uma herança a que a sociedade tem direito. E não é só, vem muito mais por aí.  Ele deixou muito mais por fazer.

DM - Quando acontecem os lançamentos do livro Sócrates Brasileiro em Brasília, Goiânia e Manaus?
KB - Ainda não recebi esta programação, mas já solicitei à Editora Prumo, as providências para estas datas. Assim que as tiver, enviarei para o Diário da Manhã  imediatamente. É necessário, nesta etapa, que a Livraria local se interesse pela Obra e ao lado da Editora organize a noite de lançamento e dedicatórias.

DM - O lançamento do livro Sócrates Brasileiro em Brasília inclui uma visita à presidenta Dilma Rousseff no Palácio do Planalto?
KB - Certamente sim. Tenho alguns contatos que já se mobilizam para que o livro chegue às mãos também da presidenta Dilma  Rousseff.  Esta Obra traz passagens políticas importantes e interessantes, mas principalmente reflexões do que ainda podemos e devemos executar por meio do Ministério dos Esportes para que seja multiplicado o alcance da socialização através do esporte, especialmente no que se refere a equipes de  futebol, voleibol, basquetebol. Com uma bola e um educador, socializamos trezentas crianças ao mês. Isso pode acontecer além do espaço escolar, nas quadras esportivas ainda abandonadas dentro das comunidades. Este projeto foi discutido e seria implantado na Venezuela. Uma semana antes de viajarmos,  Sócrates teve a primeira entrada na UTI e passamos ao tratamento da doença, o que nos impossibilitou de darmos continuidade.

DM - Sua mensagem para o Brasil por meio do Diário da Manhã?
KB - Depois de conhecer Sócrates e conviver com ele me tornei, de fato, uma melhor cidadã. Alguém que busca informação para transformar a própria realidade participando do processo político, preocupada com a Educação em meu país porque se, apenas através delas (educação e política) não conseguimos transformar tudo, sem elas tampouco conquistaremos uma nação de fato democrática, capaz de formar intelecto e espiritualmente todos os seus brasileiros e garantir a todos eles o ponto de partida, para que a chegada dependa exclusivamente da trajetória de cada um. Já caminhamos muito e como Nação recente que somos perto do resto do velho mundo, conseguimos transformar o nosso cenário num curto período de tempo considerando que há 50 anos atrás estávamos iniciando um processo doloroso e extremamente prejudicial com a ditadura militar. Caminhamos rápido na transformação, mas ainda engatinhamos para o melhor contexto social, no qual acredito que chegaremos. Sócrates partiu acreditando no poder transformador da maioria ainda privada. Que cada brasileiro possa se unir a nós, empenhados à exercer a cidadania,  iniciando por sua comunidade e o convívio familiar. Que juntos possamos dar seqüência a este Legado deixado por um Brasileiro, que nos amou muito e amou incondicionalmente até a morte o seu país.

DM - Fale um pouco sobre o Livro?
KB - "Sócrates Brasileiro - minha vida ao lado do maior torcedor do Brasil"  é  uma Obra biográfica baseada nos relatos de um diário e nos anos de casamento. O livro publicado pela Editora Prumo no Brasil,  com participação ao meu lado,  da grande escritora Regina Echeverria, autora de "Furacão Elis", "Gonzaguinha & Gonzagão", entre outras grandes biografias, traz os textos deixados por Sócrates em primeira pessoa para mim, em nosso diário. Traz os meus relatos dos momentos que vivemos e,  do que construímos juntos política e socialmente, bem como os momentos mais difíceis durante a luta contra a doença que o levou. A luta contra os efeitos da abstinência e os motivos que o levavam a recorrer ao álcool, também estão em algumas páginas da obra. Retrato os momentos que nos reunimos com as torcidas organizadas a fim de colaborar com o fim da violência em campo sem desprezar a real necessidade de cada grupo social. Mais do que uma história de amor esta é  uma Obra que trata as diversas formas de relações humanas, suas causas e suas consequências. Vale a leitura para reflexão. Nela ofereço a nossa vida em comum em beneficio da sociedade.


Veja matéria no Diário da Manhã




Por: Walter Brito

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