sexta-feira, maio 23, 2014
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Por: Walter Brito


Alex, Walter Brito, Sérgio e Carlos Henrique da Comunidade Kalunga

Quando Nelson Mandela veio ao Brasil, após 27 anos de cárcere na África do Sul, tive o prazer de acompanhá-lo ao Estado do Espírito Santo, governado pelo afrodescendente Albuino Azeredo. Naquela oportunidade, eu representava o Governo Federal, como diretor da Fundação Cultural Palmares. Mandela ao lado de sua esposa à época, Winnie Mandela nos disse: “Espero que a minha visita ao Brasil contribua com a comunidade negra e que um dia, essa comunidade ocupe o lugar que merece na história do Brasil”.

Lá no Palácio Anchieta, sede do governo do Espírito Santo, tive a honra de presentear Nelson Mandela com o livro A Mão Afro-Brasileira, quando afirmei: “A Fundação Cultural Palmares, criada no governo do presidente José Sarney, foi o primeiro passo para que o Brasil reparasse a dívida histórica com o povo afrodescendente. Doutor Nelson Mandela! Tenho a convicção que a sua presença no Brasil, simboliza as conquistas que o povo negro terá daqui para a frente, no Brasil e no mundo”. Vale lembrar que, depois que Mandela veio ao Brasil, tivemos como ministros: Edson Arantes do Nascimento, o Pelé; Benedita da Silva; Gilberto Gil; Orlando Silva e Joaquim Barbosa, na presidência da Suprema Corte. Nos Estados Unidos, Barack Obama, tornou-se presidente.

Naquela noite em Vitória, após o empolgado discurso do governador Albuino, Mandela concluiu: “Lá no meu país, apesar do Apartheid que tivemos durante longos anos, o piloto de um avião como os que nos trouxe ao Espírito Santo é negro. Nos hospitais, grande parte dos médicos são negros, como também, grande parte dos advogados nos mais importantes escritórios de advocacia. Vi aqui no Brasil, poucos médicos negros nos hospitais, bem como raríssimos negros em postos importantes do governo. Espero que a minha visita, traga uma contribuição à integração do negro no processo de desenvolvimento do país.

23 anos se passaram e, no dia 20/05/2014, o Senado reconheceu o gol de placa marcado pela presidenta Dilma. A cota que reserva 20% para os negros no serviço público, já é quase uma realidade. Com a aprovação no Senado, o projeto segue para a sanção no Palácio do Planalto, que certamente contará com o sim da presidenta. Aí, o negro brasileiro dará um passo firme rumo a sua liberdade plena. O senador pernambucano, Humberto Costa (PT), disse em alto e bom som que, participou de um momento histórico da vida pública brasileira. De fato, o projeto relatado por Costa, muda a história da negritude brasileira e, ajudará a minimizar o racismo no país; além de permitir que o povo negro alcance nos próximos 10 anos, um espaço que sempre foi seu. Mas agora, de fato e de direito: “O espaço da dignidade”.

Nesse sentido, esclareço ainda que, Colin Powell, Condoleezza Rice e Barack Obama, são frutos das cotas raciais nos Estados Unidos da América.

A presidenta Dilma teve a sensibilidade, a sabedoria e a coragem de contribuir com o povo que participou efetivamente da construção do Brasil e, não está presente na sua administração. Basta lembrar que somos apenas 5,9% dos diplomatas no Itamarati; 12,3% dos auditores da Receita Federal e 14,2% dos procuradores da Fazenda Nacional. No entanto, representamos 60% da população brasileira. E mais, no próprio ministério da presidenta Dilma Rousseff, temos como representante, apenas a doutora Luiza Helena de Bairros, ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

Ontem(21), quando soube da notícia por meio do rádio no automóvel, me encontrava ao lado dos afrodescendentes: Alex José da Silva, Sérgio Ribeiro da Cruz e Carlos Henrique da Costa dos Santos das Virgens (foto), na travessia da ponte JK no Lago Sul em Brasília. Todos somos militantes da causa negra. Estávamos convictos de que, votaríamos para presidente da República, no senador mineiro Aécio Neves do PSDB, pela estabilidade da economia. Entretanto, a causa negra e a justiça feita pelo Senado da República falou mais forte. O projeto que será sancionado pela presidenta Dilma, engrandece a comunidade negra e mudou o nosso pensamento. Resolvemos, num gesto de reconhecimento da grandeza de nossa presidenta, homenageá-la com o nosso apoio nas urnas no dia 05 de outubro. Ressalto ainda que, a assinatura de Dilma Rousseff, no documento que reserva 20% das vagas de concurso público para a comunidade negra é mais significativo para a militância de nossa nobre causa, que a assinatura da princesa Isabel, no documento que autorizou a Lei Áurea, no dia 13 de maio de 1888. Viva o povo afrodescendente!

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