terça-feira, fevereiro 18, 2014
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Por: Walter Brito

Muitos meninos negros brasileiros sonham em ter um futuro melhor que seus pais e avós  tiveram.  Pequena parcela deles sabe que seus antepassados foram escravos e que também  foram abandonados; sem lenço e sem documento, nas grandes cidades como: Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador entre outras, no ano de 1888. Naquela oportunidade foram supostamente livres da escravidão.

Ocorre que, a libertação daqueles que ajudaram a construir efetivamente o Brasil se deu forma errônea e covarde, pois eles  não tinham mais serventia. O Brasil precisava naquele período da história, de mão de obra especializada, preferencialmente vinda da Europa: Itália, Inglaterra, França, Alemanha, Holanda, Portugal e até do Japão.

Assistindo pela televisão ao jogo com o Real Garcilaso, pela Libertadores, percebe-se que o mundo é de fato racista. No caso dos peruanos; são racistas e assumem que são. Do lado de cá, a mídia brasileira nunca fez nada para que isso não acontecesse. Ao contrário, mostra todos os dias na TV que a maioria dos assassinos é negra; a Cracolândia também; os desempregados idem; e os altos postos da nação não são ocupados pelos afrodescendentes.

Lá no Peru, torcedores do Real Garcilaso, já homenagearam um escritor mestiço do século 16. Aqui no Brasil, a mídia e o sistema escondem que o seu maior escritor, o Machado de Assis era negro. Até as fotografias do autor de Memórias Póstumas de Brás Cubas, foram clareadas. Talvez, para que ele escondesse supostas semelhanças com macacos imitados pela torcida peruana.

De fato, não é a primeira vez que um atleta brasileiro recebe tratamento como esse. Vale lembrar, que o atleta do século, o rei Pelé foi impedido de entrar num clube na cidade de Uberaba em Minas Gerais por ser negro. À época. ele era apenas Edson Arantes, filho de seu Dondinho e dona Celeste. Quando passou para a história, como um dos seres mais conhecidos do Planeta Terra, o rei Pelé, então ministro dos esportes do governo brasileiro, ofuscou o presidente Fernando Henrique Cardoso,  em uma visita ao clube Chelsea na Inglaterra. A partir daí, o rei foi sutilmente excluído da agenda internacional de FHC.

Quando o ministro Joaquim Barbosa decretou a prisão de José Dirceu e sua turma, ele passou a ser chamado sutilmente por setores da mídia de carrasco. Além de divulgar que:" falta-lhe fidelidade, humanidade e cortesia"; entre outras estratégias, com o propósito de diminuir a competência inquestionável do negão de Paracatu em Minas Gerais.

Tinga não é bobo e finge que acredita no apoio da mídia e na solidariedade da sociedade brasileira. O jogador do Cruzeiro é bem informado e sabe que, o mais completo show man brasileiro, teve sua carreira encerrada por desobedecer aos poderosos da mídia e de nosso sistema. Wilson Simonal, que dividiu em dois, o público de 30 mil pessoas no Maracanãzinho cantando País Tropical, tocava um número incontável de instrumentos musicais. Ele tinha um swing inigualável, falava diversos idiomas fluentemente e foi o décimo segundo jogador da Copa de 70. Morreu no ostracismo e conseguiu seu Habeas Data no ministério da Justiça, com o apoio deste repórter e, após sua morte. Simonal nunca foi dedo duro da ditadura!

O nome de Tinga precisa sim, ecoar hoje e amanhã nas vozes de todas as torcidas e de todos os estádios,  mas não da maneira que alguns querem. Ou seja, de maneira folclórica.  O nome do Tinga tem que ecoar, tal qual ecoou o nome de Nelson Mandela; Martin Luther King e Zumbi dos Palmares. O nome de Tinga precisa passar para a história, como símbolo de lutas, conquistas e vitórias da negritude brasileira.

Os estrategistas do sistema e da mídia, às vésperas da Copa do Mundo no Brasil, divulgam aos quatro ventos que: “Tinga somos todos nós”.

Tinga sabe que é difícil a criança negra brasileira saber o que é a cultura rastafári. Esta cultura simboliza a exploração sofrida pelo povo jamaicano. Talvez nem a presidenta Dilma Rousseff tenha consciência disso. Portanto, a luta pelo fim do racismo no Brasil, no mundo, nos estádios e tribunais; se dará  por meio da reformulação efetiva do currículo escolar nos ensinos: fundamental, médio e superior. A verdadeira história do negro tem que ser reescrita e contada de forma didática nos bancos escolares. Não podemos admitir que uma história importante como a nossa, seja folclórizada pela mídia nacional e internacional em tempo de Copa do Mundo.


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