segunda-feira, agosto 11, 2014
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Dilma

O que essa gente do governo Dilma Rousseff, ela incluída, imagina mesmo que somos? Um bando de idiotas? Ou de ignorantes? Incapazes de distinguir entre o falso e o verdadeiro?

Vai ver parecemos dispostos a ser enganados desde que não nos apertem os bolsos. Nem revoguem direitos e benefícios obtidos a duras penas. Ou que nos foram concedidos em troca de votos.

Pois é...

Os aloprados estão de volta!

Perdão. Os aloprados não estão de volta. Estão de volta aqueles que a cada eleição tentam por meios escusos influenciar seus resultados.

Lula chamou de aloprados os membros de sua campanha à reeleição que montaram um falso dossiê para enlamear a imagem dos candidatos do PSDB a presidente da República (Geraldo Alckmin) e ao governo de São Paulo (José Serra).

Aloprado é um tipo inquieto. Ou amalucado. Sem juízo. Apenas isso.

Na época, ninguém contestou o uso impróprio do inocente adjetivo para identificar, de fato, manipuladores da vontade popular. Sinto muito, mas era disso que se tratava.

Agora será diferente?

Como qualificar os que agiram para transformar a CPI da Petrobras numa despudorada farsa? Uma CPI que poderia afetar o resultado da próxima eleição presidencial.

Ali havia um grave malfeito a ser investigado capaz de alcançar Dilma a poucos meses da sua sucessão. A Petrobras fez um dos piores negócios de sua vida ao comprar a refinaria de Passadena, nos Estados Unidos.

O negócio foi aprovado pelo Conselho de Administração da companhia presidido por Dilma. Respondam com franqueza: o que foi feito da gestora tida por Lula como exemplar?

Dilma alegou que se baseara num parecer técnico “falho” quando avalizou a compra da refinaria. E que o autor do parecer já fora demitido da diretoria da Petrobras.

Descobriu-se, afinal, que o demitido, assim como a atual presidente da companhia, receberam de véspera as perguntas que lhe seriam feitas por senadores do governo escalados para integrar a CPI.

Uma ação entre amigos. Ou melhor: um crime!

Sob pressão do governo, o Tribunal de Contas da União (TCU) retirou o nome de Dilma da lista dos eventuais culpados pelo prejuízo de US 792,3 milhões contabilizados pela Petrobras.

Deixou de fora da lista o nome da presidente da Petrobras, Graça Foster. E por fim adiou o julgamento do caso. Graça não poderia dispor de melhor advogado de defesa – Dilma, que a nomeou para o cargo.

Lembram-se da vez que Lula se referiu a Sarney como “um homem incomum?” Foi a maneira que achou para socorrer o fiel aliado, suspeito de alguma tramoia.

Graça é “uma mulher incomum”, sugeriu Dilma. Que decretou: “Nós não achamos que pese contra ela qualquer processo de irregularidade”. Nem contra o marido de Graça, prestador de serviços à Petrobras.

Seria mais razoável que Dilma correspondesse ao que se espera de quem ocupa o cargo mais importante da República, deixando o TCU livre para decidir se lançará o nome de Graça no rol dos responsáveis pelo negócio de Pasadena.

Ninguém pediu a opinião dela sobre Graça. Ninguém. E não interessa ao tribunal – e não deve interessar - o que pensa Dilma de sua amiga de fé, irmã, camarada.

O poder costuma cegar quem o exerce.

Embora carente de talento para estar onde foi posta por Lula, Dilma entende que merece se reeleger porque fez um governo estupendo, inesquecível.

Por certo, inesquecível, sim...

De resto, é tamanha a fraqueza dos seus adversários que ela tem tudo para se reeleger. Se os fados ajudarem, no primeiro turno.

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