terça-feira, janeiro 27, 2015
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Em sua primeira mensagem desde o acordo entre Cuba e Estados Unidos, o ex-ditador Fidel Castro disse que não confia nos americanos, embora defenda o diálogo entre seu irmão, Raúl, e o presidente Barack Obama.
"Não confio na política dos Estados Unidos nem troquei nenhuma palavra com eles, sem que isso signifique, tampouco, uma rejeição a uma solução pacífica dos conflitos ou perigos de guerra", disse no texto, com data desta segunda-feira (26).
Fidel considera que as negociações entre os americanos e qualquer país da América Latina devem seguir as normas internacionais da diplomacia, ou seja, em igualdade de condições.
"Defenderemos sempre a cooperação e a amizade com todos os povos do mundo e, entre eles, os nossos adversários políticos."
A primeira mensagem sobre a retomada das relações diplomáticas com os americanos foi feita por meio de uma carta à Federação de Estudantes Universitários de Cuba, que completa 70 anos.
No texto, ele também afirma que o primeiro gesto de aproximação entre os dois países ocorreu no velório do líder negro e ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, em dezembro de 2013.
Na ocasião, Raúl Castro e Barack Obama se cumprimentaram, marcando uma trégua na relação entre os dois países. No final da carta, ele cita ainda as mudanças climáticas e o crescimento da população mundial para que todos os países criem normas para garantir a dignidade de todos os povos.
O silêncio de Fidel alimentou rumores sobre sua saúde e até sobre sua morte no início do mês, até que o ex-jogador de futebol argentino Diego Maradona, seu amigo pessoal e que estava de visita em Havana, anunciou há duas semanas ter recebido uma carta do ex-ditador.
A última aparição pública de Fidel foi em 8 de janeiro de 2014, quando assistiu à inauguração de uma galeria do artista cubano Alexis Leyva "Kcho", também seu amigo.
CÚPULA
A carta de Fidel é divulgada na véspera da cúpula da Celac, grupo fundado pelo então presidente venezuelano Hugo Chávez para ser uma alternativa à OEA (Organização dos Estados Americanos), que não admite Cuba.
Para analistas, o discurso positivo do presidente Barack Obama para a América Latina e as ações graduais sobre Cuba implementadas desde dezembro já seriam suficientes para questionar duas das principais premissas da criação da Celac: a existência de um bloco que faça frente à influência dos EUA no continente e a inclusão de Cuba num grande fórum regional.
No último caso, acredita-se que o movimento dos dois países pode tornar o retorno de Cuba à OEA mais factível.
"Agora que os EUA começaram sua própria discussão para normalizar as relações, a principal função da Celac deixa de existir", diz Christopher Sabatini, da Universidade Columbia (EUA).

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