segunda-feira, abril 27, 2020
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Moro e Ciro poderão duelar forte em 2022

Por: Walter Brito

Dia 23/4 é o dia de São Jorge aqui no Rio de Janeiro e, depois do carnaval, é a data mais importante da Cidade Maravilhosa. Mas o justiceiro São Jorge chegou chegando mesmo foi em Brasília, a capital de todos os brasileiros.
A demissão de Sérgio Moro faz o Brasil viver uma situação inusitada e nunca vista antes em nossas fronteiras. Além da Pandemia da Covid-19, que assusta o mundo e ameaça a vida de brasileiros de todos os cantos, já com quase quatro mil mortes e aproximando de sessenta mil infectados, agora a crise política antecipa a sucessão presidencial.

Bolsonaro deverá governar até o final de seu mandato. Michelle dá suavidade ao governo Bolsonaro
Sabemos que em nenhum momento Moro tenha pedido para sair do governo formalmente, mas foi demitido em condição sumária por Jair Bolsonaro, de temperamento imprevisível e, pelo que parece, nunca almejou ser uma ‘rainha da Inglaterra’ no poder.
A popularidade de Moro no primeiro ano de governo fez do homem de Curitiba um personagem muito poderoso no governo, o que incomodou sobremaneira a Bolsonaro e seu clã familiar.
Por isso, sob a orientação do vereador carioca, o Carluxo, Bolsonaro foi, aos poucos e estrategicamente, tirando os poderes do superministro Sérgio Moro. O pacote anticrime de Moro foi desfigurado; o Coaf, pérola mágica do ministro, saiu de suas mãos de forma articulada. Logo, Moro, que tinha carta branca e porteira fechada no ministério, não podia mais manter seus escolhidos, e aliás foi impedido de nomear a cientista política Ilona Szabó para sua pasta.

Carlos Bolsonaro nada produziu como vereador no Rio. Funciona bem como mentor da clã Bolsonaro

Carlos Bolsonaro, que nada produziu como vereador no Rio durante seus mandatos, mas é, presumidamente, o pensador da política que sustenta o clã Bolsonaro no poder, certamente foi o estrategista que derrubou o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, no dia de São Jorge.
Como se observa, Moro tinha ciência de que seria defenestrado do poder, desde o dia em que pediu demissão da magistratura. Uma pista importante disso ocorreu na fatídica noite de quinta-feira, 23/4, quando Valeixo ligou para Moro avisando que sua demissão seria publicada no Diário Oficial da União no dia seguinte, a pedido. Imediatamente, Moro acionou seu Plano A, possivelmente montado antes de sua nomeação como ministro do governo Bolsonaro. Acredito que, antes de ser nomeado, de forma detalhada com a “república de Curitiba”, seus conselheiros internacionais e os poderosos da mídia nacional, que sua saída da magistratura, depois de 22 anos de serviços prestados e seu nome em alta por muito tempo, inclusive como a maior personalidade das mais altas rodadas de conversas informais do país, Moro certamente estudou, com muita antecedência, o comportamento explosivo e imprevisível de Bolsonaro, conhecido pela maioria que acompanha a política nacional, desde o primeiro mandato como vereador no parlamento municipal do Rio de Janeiro.
Quando Moro entrou no governo, sabia que não ficaria muito tempo. Convicto de que foi um dos responsáveis pela eleição de Bolsonaro, obviamente imaginou que seria usado para dar credibilidade ao governo bolsonarista. Na sua cabeça, Moro usaria o cargo como escada para chegar ao Palácio do Planalto e ocupar sua principal cadeira.
Embora não domine a língua portuguesa como deveria, como critica constantemente o jornalista Reinaldo Azevedo, Moro também não é considerado um grande jurista, dizem alguns conhecedores do direito. Entretanto, Moro pensa bem, é determinado de forma extrema, ambicioso, além de ter sido bem treinado no país do Tio Sam.
Quanto às críticas de Reinaldo Azevedo, referentes aos erros crassos de português e o questionamento de juristas de proa, que não dão crédito ao saber jurídico do paranaense, isso evidentemente não tem tanta importância, sobre liderar os rumos de um país. A capacidade de influenciar e mobilizar pessoas em prol de um objetivo é o diferencial entre um grande líder e um chefe comum. Nesta seara, Moro dividiu os bolsomínions ao meio, começando pelo Congresso Nacional.
Existem muitos chefes políticos no Brasil e no mundo que não dominam sua própria língua, mas têm uma capacidade enorme de mobilizar pessoas, principalmente em países de pouca escolaridade.
No caso específico de Sérgio Moro, que treinou mais que estudou e sempre nutriu uma gana pelo poder desde infante, não importa a Pandemia da Covid-19, com a hora de sair no governo, o fundamental é o seu tempo. Neste sentido, vale lembrar que na juventude plena de Moro no Paraná, sua referência era o então poderoso Álvaro Dias, hoje senador pelo Podemos. Grande tribuno e dono de um discurso eloquente, Álvaro Dias era admirado por Moro que cursava o ginasial. Moro já sabia, de antemão, que não seria tão eloquente quanto o seu primeiro ídolo, mas declarou em sua juventude que seria um Álvaro Dias, pois ele queria o poder.
Neste sentido, Moro abandonou a magistratura, mesmo com o protesto de seus pares e, na sua cabeça, o seu tempo como magistrado tinha chegado ao fim e saiu de Curitiba com o sentimento único de liderar o país. Sabemos que por mais de 500 anos a corrupção rolou solta, e Moro, com a marca forte da anticorrupção, sempre teve como plano A ser o comandante maior da nação brasileira.
No governo Bolsonaro ele aguardava o seu momento certo, mesmo engolindo sapos, sendo chamado à atenção publicamente por Bolsonaro, num tempo em que sua popularidade era maior que a do presidente. Ainda assim, ele aguentou firme, pois a hora não era aquela.
Bolsonaro, já desgastado pelas forças políticas sob o comando do poderoso DEM, representante da mais poderosa oligarquia que governou o país com mãos de ferro, desde as capitanias hereditárias, na Pandemia da Covid-19, mais poderoso ainda, pois além de comandar o Congresso, com Rodrigo Maia na presidência da Câmara e David Alcolumbre no comando do Senado, o deputado mineiro do DEM, o médico e então ministro da Saúde, Luís Henrique Mandetta, foi transformado em primeiro-ministro, enquanto que Jair Bolsonaro posava de ‘rainha da Inglaterra’ travestido de menino teimoso, que saía pelas padarias, farmácias e até churrasquinhos de gato, no intuito de salvar a economia. Nesse momento crucial, Moro deu força para Mandetta, pois precisava conquistar os poderosos da nação, que tramaram as capitanias hereditárias.
Se ocorresse uma reviravolta qualquer na política nacional, e se diminuísse o poder de Moro, ele até que poderia pensar no Supremo e concordar com a proposta da deputada Carla Zambelli e dizer sim, ao contrário do: "NÃO estou a venda", sem crase no a. Não é, professor Reinaldo Azevedo?
Moro continuava poderoso e seguro de si e naquela noite, dia de São Jorge, em Brasília, Moro, ao receber o telefonema de seu braço direito, que seria demitido a pedido, Moro que é bem treinado, lembrou-se que seria falsidade ideológica a publicação da exoneração de seu apaniguado sem a assinatura do ministro da Justiça. Mais uma prova contra Bolsonaro. Por isso, ele uniu o útil, que era a demissão de seu homem de confiança na Polícia Federal, com o agradável, a exoneração, sem sua assinatura. Imediatamente Moro acionou a imprensa e convocou a reunião das 11 horas em seu gabinete.
Com todo o poder nas mãos, a essa altura do campeonato, Moro estava pouco se lixando para a Pandemia da Covid-19, com a vida dos 407 brasileiros que tinham morrido naquele dia e os outros milhares que poderão morrer daqui para a frente. Muito menos com o Supremo, que na verdade nunca lhe interessou. Depois de sua fama, ele não tinha interesse de se submeter ao saber jurídico existente na Suprema Corte, principalmente depois de ter sido criticado por Bial na TV Globo, ao pronunciar cônjuge erradamente.
Vale ressaltar que, depois da fama de maior personalidade pública da América Latina, ele não estava preocupado com a segurança de sua família, caso lhe acontecesse um mal maior e muito menos em arranjar emprego, como foi dito em sua coletiva para a imprensa. Trata-se de jogada de marketing para o povão ou para inglês ver.
Depois da fama, o futuro do ex-juiz e de sua família estão mais que garantidos.
Bolsonaro, por meio das orientações do filho, partiu para o ataque. Refiro-me ao vereador Carlos Bolsonaro, do Rio, que obteve 106.157 votos em 2016 , mas nada fez pela cidade de São Sebastião. Ele funciona como mentor e estrategista político do clã Bolsonaro.
A maioria pensa, Bolsonaro vencerá a disputa do disse-me-disse contra Moro, apesar dos indícios criminosos e algumas evidências. Ele certamente não conseguirá apagar a popularidade de Moro, mas receberá apoios consideráveis, dentro e fora do Brasil. Não é de seu feitio renunciar ao seu mandato, como muitos querem, entre eles, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.


Bolsonaro é cria do Moro e Moro foi pago por meio do cargo de ministro da Justiça, que viabilizou seu projeto rumo ao Palácio do Planalto. Portanto, nenhum deve nada para o outro. Tudo indica que ambos disputarão a presidência da República. A largada foi dada em plena Pandemia do Coronavírus e no tempo escolhido por Sérgio Moro. Resta saber quem serão os outros nomes para o Planalto em 2022. A priori, destacam-se pelo centro-direita: João Dória (PSDB), Luciano Huck (sem partido), Wilson Witzel ( PSC), General Hamilton Mourão (PRTB), Luiz Henrique Mandetta (DEM), Fernando Collor ( PROS) e o brigadeiro Átila Maia (PTB). Pelo centro-esquerda:  Ciro Gomes (PDT), Flávio Dino (PCB) e Fernando Haddad (PT).


No espectro da direita, alguns se insinuarão como presidenciáveis, tais como: Henrique Meirelles (MDB), Rodrigo Maia (DEM), entre outros, mas, na verdade, estes farão lob para se emplacarem em alguma vice competitiva.
Diz o ditado popular que a esquerda só se une na cadeia. Por isso, sabemos que dificilmente sairá uma aliança com o PT, que o partido do ex-presidente Lula não seja cabeça de chapa. Flávio Dino (PCB), governador do Maranhão, certamente já está conversando muito, pois é um excelente quadro e poderá  tentar convencer Lula, que com a direita rachada entre os dois maiores líderes Moro e Bolsonaro, a saída lógica é a unidade na diversidade, ou seja, mesmo que tenham pensamentos diversos, salvar a democracia é maior que a ganância do poder pelo poder.

O Saudoso Luiz Gushiken era Bahá'í. Ele explicou para Lula, o que é a unidade na diversidade. Tomara que o ex-presidente se lembre dos ensinamentos de seu ex-ministro
No meu entendimento, embora Lula seja ainda um importante líder e em recuperação de sua imagem devido aos 580 dias de cadeia em Curitiba, ele ainda é um doente que, sadio, certamente ainda terá muita força, mas o momento é do cearense Ciro Gomes, do PDT de Brizola.
Ciro tem em seu currículo um histórico invejável como parlamentar e gestor público. Deputado estadual do Ceará, prefeito de Fortaleza, deputado federal, governador do Ceará, ministro da Fazenda e ministro da Integração Nacional. Nas suas quatro décadas de vida pública, não consta nenhum ato de corrupção e por onde passou deixou sua marca forte como parlamentar e gestor público de grande competência. Entre todos os pré-candidatos acima colocados, Ciro é sem dúvidas o melhor debatedor dos problemas nacionais. Sua verve afiada e seu preparo intelectual, o profundo conhecimento da economia nacional e internacional são fundamentais neste momento de Pandemia, crise política e a economia no fundo do poço. O apelo que Ciro Gomes tem no Nordeste brasileiro e os 13. 344.366 de votos na eleição de 2018, sem a estrutura partidária que tem a poderosa máquina do PT, obviamente o cearense tem as credenciais de conduzir os progressistas, no momento da derrocada de um dos maiores líderes da esquerda no mundo, que foi Luiz Inácio Lula da Silva, coincidentemente com crise pandêmica da Covid-19, que assombra o mundo e mata brasileiros de todos os cantos, de todas as idades e segmentos sociais, sem piedade, além da crise política que se instalou na poderosa, mas frágil nação brasileira.
Por isso, precisamos fazer valer o título desta matéria: A demissão de Moro chama Ciro Gomes para o debate! Independentemente de cor partidária, o Brasil pede socorro e temos que contar agora com brasileiros que estão preparados para a hora certa. Atenção, líderes da esquerda: Lula, Flávio Dino, PSOL, PSB, entre outros, a hora é de união. Vamos unir as melhores cabeças desta nação e deixar que São Jorge faça justiça nas eleições de 2020 e 2022.

Contato com o jornalista Walter Brito: 61- 996624395

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