Há candidatos que chegam à Academia como quem aceita uma homenagem. Taurino Araújo chega como quem assume um cargo. "Sou um executivo das artes", define-se, e a frase, mais do que bravata, resume o que o distingue entre os 17 inscritos na sucessão de Zuenir Ventura.
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| Fachada da Academia Brasileira -ABL, que é de fato, um dos maiores símbolos da tradição e da identidade cultural de nosso país |
O baiano reúne o que a tradição da Casa sempre admirou, o polímata que transita entre a poesia, o ensaio, a crítica, o Direito e as artes visuais, na linhagem de Ruy Barbosa e Afrânio Peixoto, seus modelos declarados desde menino. Quarenta anos de poesia estão em A caturna e outros poemas, e a obra de maior fôlego, Hermenêutica da desigualdade, tenta unir o Direito e as Ciências Sociais num só pensamento.
Mas o diferencial é o método. Taurino diz conduzir a campanha mais organizada da história da Academia, e o entusiasmo com que fala disso sugere que ele pretende governar a cadeira com o mesmo rigor. Pergunte o que ele quer e a resposta vem sem rodeios: "Quero a Cadeira 32 para trabalhar pelas Letras do Brasil".
Eleição acadêmica, porém, não obedece a favoritos. Os eleitores podem preferir nomes como Drauzio Varella, ou Anna Bella Geiger - nomes que enriquecem a disputa. E o tom entusiasmado do candidato pode pesar, ou não, entre os votantes. É o que se decide em 12 de novembro.
Por tudo o que traz para a ABL, a obra vasta, a formação rara e a disposição de trabalhar, Taurino faz por merecer assento na Cadeira 32.
Cacá Soares
Escritor e roteirista de cinema.





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